sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Não Sei

Forasteiro sem rumo e sem chão
Nômade sem medo e sem razão...
A intensidade me persegue e nem sei por que
O calor em mim é frio, nem dá pra perceber
Caminho para onde nem sei.
Todo dia dou um tiro no escuro!
É assim que escrevo minha lei...
Me apaixono por tudo que respira.
Mas principalmente, que transmite calor
Vivo em busca de cheiro, cores ou do sabor
O sabor da mistura ou da interrogação
Sou um misto de leveza e solidão...

domingo, 22 de agosto de 2010

MulheRosa

Era leve
Poucas brisas eram tão leves...
Era única.
Como o nascer do dia a beira mar...
Caminhava em meio ao vento
Que arrepiava sem avisar...
Sentia e via que a todo o momento estava a mudar
Mudava contra o pensamento
Começava a se transformar...
Aquela rosa que eu via
Que eu regava todo dia
Era uma moça.
E uma flor, uma doçura de flor estava a despertar
Não se chegava a uma conclusão
Se era rosa, moça, ou mulher então
Mas só chamava atenção...
Por fim desabrochou...
A rosa menina, mulher e flor...
Perfume suave, que me encantou...
Agora não sei se sou homem, ou se sou um beija flor.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Luz acesa, mente vazia

Ele apaga sua memória sem querer
Os passos dados, se vão em vão
E o que de fato é bom se perde sem se perceber
E age sem notar...
E sem pensar nas conseqüências, fecha os olhos e faz!
Ele sempre quer tudo.
O pouco é muito, mas ele quer mais e mais...
Conquista e se apaixona com tamanha facilidade...
Tem amigos aos montes, não mede cor, classe ou idade.
Pensa em ter família, mas sente que no fundo a solidão o espera.
Cantarola uma canção sem futuro...
Vive intensamente, profundamente, mas em cima do muro.
Não define padrões, não esquece refrões...
Havendo o sol ou o frio
Ele corre e se esquenta
Ou se perde no vazio
Procurando, o que não sabe o que é
Encontrando, o que não sabe se é
Encontra o que não acha e acha que encontra o que procura
E na verdade, não procura por nada...
E continua na incessante busca...
Aqui, ali, acolá...
Anda, mas não sai do mesmo lugar...
E a cada novo passo que dá
Nem sente o tempo passar...
Passa o tempo, o movimento, o ar...

sábado, 31 de julho de 2010

O Mundo é um Alfinete

Me deparo todo dia com uma coisa nova
Multiplico todo dia minha visão de planeta...
Vejo que as pessoas se parecem demais para dizerem que são diferentes...
As diferenças são presenciadas e destacadas a cada novo olhar...
Os mundos que se encontram, as vidas que se espelham
E tudo é parecido, tudo é só uma coisa, só
Que mundo danado de pequeno é esse, que cabe na ponta de um alfinete?
Enquanto pareço perdido me acho em meio a tanta conhecidência...
Vago pelo mundo, suprindo minha carência com o sorriso profundo.
Afundo nessa vastidão de cores, mergulho, provo, e bebo desses sabores
Entre dores e amores...
Me construo, encima de tudo o que vejo
Faço meu dia a dia, aproveito o bom do beijo
E vou, até o onde puder
Ou além de onde der...

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Envolvente

Envolvente, mente na mente, mente que não só vê como crer e sente...
Gente junta numa só intenção...
Eu e você, numa só pulsação...
Mas que um mágico momento, embalados fomos mais que intensos...
Num imenso momento nossa respiração se fez numa só...
Tal como uma cena, cena de cinema...
Mas não um mero clichê
Você, adentrando meu olhar...
Eu, tentando entender...
A veracidade me ilude, será que ela tem tamanha beleza?
O que estava diante dos olhos, não era só processado,
Era sentido, degustado...
E no intimo do instinto, senti a leveza do sorriso
Mesclada a intensidade dos batimentos
Um só eu, nós num só músculo...
Em meio a tantos eus, sentindo tanto suor, tanta gente...
E o inesperado se fez chocante...
E passo a passo o passo se foi em um instante
E em um segundo acordei de um sonho que mais parece uma cicatriz
De tão intenso e voraz...
De tão único e capaz de deixar esse gostinho de quero mais...
Quero mais...
E mais...

domingo, 18 de julho de 2010

Beija Flor

Sem vontades ou sem pudor...
Na certeza de estar alí
Controlado pelo descontrole
Na vontade de seguir...
Faço eterno o meu lamento
Faço único cada momento
Na multidão sou só mais um...
Sou um livro aberto e escancarado
Mas as paginas, me recuso a passar...
Tenho a alma de um mendigo
Que bebe em mesa de bar...
Só te peço, beija flor
Nunca pare de me olhar...
Só te peço beija flor
Nunca pare de voar...

domingo, 27 de junho de 2010

A-Como-Dar

Mundos que passam em olhares famintos
Fome de mais, de mais amigos
Perdas vivas
Vidas inteiras perdidas
O claro que ofusca nossa visão
O que consumimos é só contramão
Caminhamos em vão
Na contramão
Com conforto e comodismo
Engolimos o que mastigaram para nós...
Andamos em bando
Mas vivemos sós...
No ar o excesso, o incerto, a poluição
Poluir a cabeça com tanta informação
Os olhos fechados
Todos controlados
O fim da criação
Sem imagem-na-ação.