segunda-feira, 2 de abril de 2012

Scambo

Scambo, não só troca a nota
Troca a rota,
Ora reta, ora torta
Na cara, bate a porta
E arromba essa mesma porta.
Grita, quebra, constrói
Anti-herói Soteropolitano
Ano após ano, sem descanso
No ranço de ver sempre a mesma MERDA.
Scambo é musica, é dança
É mundo, mudança...
Trança nagô em cabelo liso
Mostra o certo e cospe na cara, se preciso
Só pra provar
Que o povo é Scambo
E que Scambo, é o reflexo do povo

segunda-feira, 26 de março de 2012

Quando?!

Quando o tempo passa
Assa a massa
Amassa o passo
Apressa-se o tempo
Vento, leve lento...
Sucumbe-se o argumento
Trago o incerto
Sou confuso e certo,
Que o posto
Difere-se do O-posto
Faço do passo o laço
Me amarro, me dou nós
Nós que não sei desatar

quinta-feira, 22 de março de 2012

Trabalhador - Bicho solto

Trabalhador é bicho solto
Malabarista de profissão
Equilibra um pouco aqui
Joga pra cima uma conta lá
Pra no findar do mês ter o do pão
Não brinca na lida não
12 horas de trabalho são
Para assegurar o leite quente e o feijão
Levanta 4, 5 horas...
Madrugueiro de vocação
Se perde dentro do ônibus
Que lotado sai da estação
E depois do trabalho vai traçar o seu rumo
Escola, cursinho, faculdade, pra fazer seu futuro.
E não perde no rosto
O sorriso bem posto
A simplicidade do viver
Paga conta/Paga juro... É débito todo ano.
Essa é a lida, a vida sofrida do meu país varonil.
É tanta mistura, tanta beleza, riqueza, pobreza
Que noutro lugar não se viu...
To falando de mim, de você,
Do povo trabalhador desse Brasil.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Soneto do entendimento

Eu te entendo, meu bem
Você precisa de um tempo, e eu também.
Não vou cobrar-te
Nem precipitar-me

Sentir-me-ei carente de seus abraços
De seus sorrisos
Dos nossos passos
Do nosso laço

Mas me faço refém deste silêncio
Calado, esperar-te-ei
Caminhando ao lado da solidão
Sentindo que um dia te terei

Saberei se és ou não
Aquela que põe fim ao silêncio
Que finda a escuridão
Que caminha com o sol e sobra em canção

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Soneto da devoção

Prometo devotar-me
Incansavelmente
A apreciação do seu corpo
A degustação do seu sorriso

Dia e noite
Pouco a pouco
Instante a instante
Segundo por segundo

Guiando incessantemente meu olhar ao seu
Meus dedos ao trabalho árduo
De te tocar
De te sentir

Devo-lhe definir
Cada curva, cada vírgula
Cada cova, brilho, silhueta
Devo a ti e só a ti, os meus olhos

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Vão

O descompasso
Passo a passo
Poema feito sob encomenda
Fecha a fenda
Abre a fenda
Remenda
Emenda
Emendo o laço
Nó, compasso
Traço a rota
Fecho a porta
Instruo
Desconstruo
Feixe, deixe
Mas não se queixe
Do não
Peça, suplique atenção
Vão
Vão
Vão

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

A-fasto

Cisco, pisco, abro...
Cheio, cheiro, caibo
Tanto, tonto, pronto.
Caro, caio, calo

Observo, servo, sirvo
Castro, falo, não falo.
Impacientemente fico
Só...

Curo, escuro, paro.
Trago o tempo claro
Despreparado
Afasto

Faço, fico, estagno.
Minto, sinto, ensino
Finjo...
Choro, de dor